Apesar de estarem
discutindo ideias e pleitos em comum para a disputa presidencial em 2018,
partidos de esquerda e centro-esquerda ainda não decidiram sobre uma possível
aglutinação no primeiro turno da campanha do próximo ano. Histórico aliado do
Partido dos Trabalhadores (PT), o PCdoB, por exemplo, chegou a lançar a
deputada estadual gaúcha Manuela D´Ávila como pré-candidata a presidente, o que
é visto por aliados apenas como manobra para pleitear vaga na chapa majoritária
ou ter espaço na mídia.
No último sábado, em encontro do PT, o
presidente do partido no Ceará, Francisco de Assis Diniz, disse que o
ex-presidente Lula, pelo seu histórico político, não pode ir para disputa
contando apenas com o apoio do PCdoB, mas estaria estudando estar com o PDT já no
primeiro turno. Com isso, o petista sinaliza uma eventual coligação entre as
legendas.
Já Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à
Presidência da República, teria acordado com Lula que quem for para o segundo
turno receberá o apoio daquele que não se consolidar. De acordo com a Coluna de
Política do Estadão em sua edição de ontem, o político cearense perdeu o prazo
para viabilizar seu nome como candidato da esquerda no pleito de 2018.
Em conversas com membros do PT, ele teria
concluído que não terá apoio de Lula e, com isso, estabeleceu acordo de que
quem passar para o segundo turno apoiará o outro. A assessoria de Ciro Gomes,
contudo, nega a informação e diz que o pré-candidato pedetista não teve nenhum
contato com Lula para tratar de aliança. Reforçou, ainda, que ele entende ser
cedo para qualquer conversa dessa natureza.
No entanto, nos bastidores da política, os
atores responsáveis por esse processo vão se movimentando. De acordo com De
Assis Diniz, até março ou abril, muitas das candidaturas que estão buscando se
viabilizar não terão condições de disputa real. "Dentro da disputa entre
Lula, Ciro e Manuela, objetivamente, esse eleitorado vai estar com o Lula,
porque, para a percepção de médio e longo prazo, as outras candidaturas não se
viabilizaram. Quem tem poder para dialogar com o centro é o Lula, e é isso que
precisamos programar", argumentou.
Ele disse ainda que as fundações do PT, do
PSB, do PCdoB e até do PSOL estão dialogando no sentido de construir um
consenso até 2018 e, para o dirigente petista, somente a candidatura de Lula
viabiliza um programa de diálogo entre as forças de esquerda.
Francisco de Assis Diniz também destacou resolução da Frente Brasil Popular,
aprovada no domingo passado, que defende a garantia do direito do ex-presidente
ser candidato à Presidência da República. "Defender o direito de Lula ser
candidato é defender a democracia e dar um importante passo para a derrota do
golpe", diz o documento. Diversos movimentos sociais e entidades sindicais
participam do grupo, além de parlamentares e dirigentes de PT, PCdoB, PSB, PDT,
PCO e até PMDB.
O PCdoB também se reuniu no fim de semana
e, em resolução partidária, conclamou partidos da base aliada do governador
Camilo Santana (PT), em especial PT, PDT e PSB, a construírem um projeto para o
Estado. Ao mesmo tempo, reafirmou o nome da deputada estadual Augusta Brito
como pré-candidata a uma das duas vagas ao Senado no ano que vem. Apesar de
aliados não acreditarem na candidatura do partido à Presidência da República e
nem ao Senado, o presidente do grêmio, Luiz Carlos Paes, garante que as
postulações são "pra valer".
"A pré-candidatura da Manuela é pra
valer. Não está no nosso controle o que pensam ou declaram líderes de outros
partidos. Eles são livres para pensar, se manifestar e agir da maneira que
achem mais apropriado. E nós também", disse. Ainda na resolução do PCdoB,
o partido demonstrou preocupação com eventuais alianças visando as eleições do
próximo ano, em alusão à aproximação de Camilo Santana com o senador Eunício Oliveira,
do PMDB.
De acordo com o presidente estadual do PDT,
o deputado federal André Figueiredo, há um diálogo entre todos os partidos de
esquerda debatendo uma estratégia de projeto para o Brasil. Ele ressaltou,
porém, que não há expectativa de que Lula e Ciro estarão do mesmo lado já no
primeiro turno da disputa presidencial.
"A possibilidade de isso acontecer no
primeiro turno é zero. Temos respeito pela candidatura do PT, ele é nosso
parceiro, mas temos nosso candidato. No segundo turno, temos real expectativa
de todas as forças estarem unidas para se opor a uma candidatura de sustentação
ao Michel Temer", afirmou.
Figueiredo disse ainda que, da mesma forma
que está acontecendo na esquerda, a direita também não tem demonstrado união,
pois há acenos de que todos os partidos apresentarão um postulante, a exemplo
do que aconteceu no pleito de 1989. "Nenhum partido tem compromisso com
outro, porque é o fim de um ciclo. Serão lançados vários nomes e, no segundo
turno, estarão unidos de acordo com o perfil ideológico", afirmou.
*Fonte - Diário do Nordeste

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